segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sobre a água (ou a falta dela)

É assustador as notícias que povoam os telejornais nos dias de hoje. Quase todas as reservas no Brasil estão abaixo de sua capacidade e as previsões não são nada otimistas, já que não vai chover o suficiente para encher os reservatórios.

Mas a previsão já era alarmante há anos atrás. Há trinta anos já se previa a morte dos afluentes que desembocavam, por exemplo, no Rio São Francisco. Já falávamos da contaminação de solos pelos produtos químicos utilizados, principalmente, no agronegócio e nas sementes trazidas para cá por multinacionais. Já prevíamos o aquecimento global, o processo de desertificação da caatinga e do cerrado e agora isso é uma realidade.

Mas nada segura a fome de lucro das grandes indústrias e do agronegócio. Buscamos os culpados e aí estão. Aos defensores do sistema capitalista a resposta é: não é possível casar sustentabilidade e lucro...

Na mídia, os governantes, representantes da burguesia industrial e agrária, empurram os culpados e, quando chegam a um acordo, culpam São Pedro (!!). A intervenção humana não tem nada a ver, segundo esses senhores e essas senhoras. A sanha por dinheiro também não...

O futuro aparenta ser catastrófico e não é um futuro distante... No jornal A Tarde de hoje, 26/01/2015, uma matéria anuncia que a falta de água afeta cerca de 46 milhões de pessoas no país, atingindo principalmente o Nordeste. Nem a Bacia Hidrográfico do rio São Francisco escapa. A preocupação do especialista, professor Tundisi, da UFSCar é, exatamente, o impacto na indústria e no agronegócio quando na verdade estes são os grandes contribuintes para a situação que chegamos.

Infelizmente, o projeto do capitalismo voraz venceu. Enquanto latifúndios e donos de multinacionais (industrial e financeiro) pouco estão se importando com o que virá, seguros que o dinheiro que possuem lhes garantirão uma sobrevida, nós, os subalternizados, trabalhadores e trabalhadoras, dançamos conforme a música, buscamos cada vez mais ter e pouco refletimos sobre essas questões. Afinal de contas, no mundo do ter, pouco importa o outro... Essa divisão nos trouxe à barbárie que se instaurou, onde as relações se constroem de forma frágil e superficial. Em breve nos queixaremos da violência por não ter o comer e beber...

Parece um futuro de um filme de ficção científica da década de 1980 ou 1990, mas é o século XXI.


Essas reflexões vieram, em especial, a partir da leitura dos seguintes textos:

Carta ao século 19: chega de banho todo dia

“O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água”

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