É curioso a aprovação de 61% da população do prefeito ACM Neto (DEM) como o melhor gestor das oito maiores capitais do país. Pior, pela segunda vez seguida. Retornei há pouco tempo para Salvador e, apesar das melhorias pontuais, principalmente no asfaltamento da cidade, não vi uma melhoria efetiva sequer dos serviços públicos.
Precisei ir na emergência da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Largo de Roma no início do mês de dezembro. Lá chegando, fui informado que havia apenas um médico para toda a UPA e que não estavam atendendo emergência. Encaminharam para o 5.º Centro e para a UPA da San Martin, mas informaram que na San Martin havia apenas ortopedista e pediatra. Já a UPA próxima ao Hospital Roberto Santos, Cabula, com novíssimas instalações, falta médico clínico para atendimento de emergência de casos como derrame.
A coleta de lixo custa à cidade uma fortuna, mas parece não funcionar. Talvez para os turistas que andem em alguns locais privilegiados, como a Barra (bairro querido de Grampinho) ou que morem em bairros não-periféricos a coleta esteja ocorrendo de forma eficiente, mas não me parece ser o que ocorre na maior parte da cidade. Na Cidade Baixa, a coleta costuma demorar de 3 a 6 dias para ser realizada, mesmo a Revitta, empresa responsável, tendo avisado na rua em que resido que a coleta seria de segunda a sábado às 07:30. Em primeiro lugar ela não acontece nos dias indicados, em segundo, NUNCA foi coletado no horário indicado. A cidade está um criadouro de moscas, rememorando os tempos coloniais em que o lixo era deixado nas ruas e Salvador tinha a fama de ser mal cheirosa (em que pese as cidades europeias não serem muito diferente, na época).
Acho que não precisava muito que se fosse considerado melhor do que o antigo prefeito, João Henrique, principalmente em seu último mandato, já que no primeiro o banho de asfalto e maquiagem da cidade foi feito, receita copiada por Neto. Mas, daí a cegueira do que significa o governo do DEM?
Além da higienização social e étnica, que se iniciou desde o início do mandato do filhote de ditador, com a retirada forçada de moradores de rua, não apenas como uma política para o período da Copa, mas como uma política constante de tal gestão, além da retirada de comunidades que "enfeiem" os bairros nobres, ainda há a política de arrecadação desenfreada a partir de multas e impostos.
Não estou questionando que a prefeitura deva organizar o trânsito ou a arrecadação de impostos como o IPTU, mas se passarmos um pente fino veremos que muitos dos maiores devedores do IPTU estão nos bairros nobres ou são as grandes empresas, mas os benefícios, curiosamente, vêm exatamente para esses setores da sociedade soteropolitana. Mas a perseguição aos devedores, muito sem condições de pagar os altos valores e suas correções, podem ter, inclusive, seus imóveis leiloados. Curiosamente, Salvador é a cidade da região Nordeste com maior déficit habitacional, segundo pesquisa feita pela Fundação João Pinheiro referente ao ano de 2013, ou seja, em uma cidade com tantas áreas abandonadas, como a região do Comércio, os prédios abandonados não servem para a realização de uma reforma urbana, mas apelar para tomar imóveis de cidadãos pode.
Ainda em relação à arrecadação da atual gestão, não há um condutor que não avalie como abusiva a postura da prefeitura. E se de um lado temos uma coleta de lixo precária, por outro, desde dezembro de 2014, a pessoa que jogar lixo em local indevido na cidade de Salvador terá que pagar multa. Isso em uma cidade em que você percorre longas distâncias e não encontra uma lixeira ou em que a coleta de lixo, como dito anteriormente, acontece de forma irregular.
O transporte público continua ruim e ineficiente, ainda assim a prefeitura renovou o contrato de concessão do serviço público por mais 25 anos para os mesmos grupos de empresários e ainda empurrou um aumento para R$ 3,00 no valor da tarifa. Mais uma vez a prefeitura ataca o trabalhador da cidade, completando a ação que retirou diversas linhas de ônibus que saiam dos bairros periféricos e que passavam pela Barra. Quanto ao aumento, ainda haverá luta. Para amanhã, 23/01/2015, está marcado um ato contra o aumento, com concentração marcada a partir das 14h., no Campo Grande.
Enfim... Essas são as questões que mais têm me tocado e mais me incomodado sobre a avaliação do cidadão soteropolitano sobre a atual gestão. Pode ser comodismo, pode estar embasada na gestão anterior que mais que sucateou a cidade ao extremo. Mas nada justifica o grande índice de aprovação, a não ser (os pós-modernos, multiculturalistas e relativistas que me desculpem) um processo de alienação e despolitização dos moradores de Soterópolis.

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